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domingo, 2 de agosto de 2009

encanto

“Azuis, os olhinhos buscavam o céu.
- menino saia da chuva!!
A alegria do menino empalideceu até ficar pequenininha.”

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O menino pegou um monte de horas
Amassou,
apertou,
amassou de novo
Enrolou e fez delas um bambolê
Colorido como o arco-íris

Brincou com o bambolê até cansar
E viu que já era gente grande
que as horas os dias os anos tinha passado

O menino apertou o bambolê,
amassou, fez dele uma conchinha,
pequenininha,
botou no bolso
e voltou a ser criança.”

quinta-feira, 9 de abril de 2009

distâncias

I da paineira a menina
do vento da porteira
das horas vazias
entre abraços e espinhos
horizonte a se estender tímido
na hora em que se aprendeu
a ter medo de voar.

II e ainda hoje,
como porta fechada
no peito
o medo
vem. baixinho
feito ânsia
a lhe tomar a mão
durante o sono
a mostrar que estrelas são altas.


III e desde. aprendeu
a querer e não
a sorrir pra não chorar
e se. engolir o pranto. a mágoa. a vontade.
porque não.
- ontem hoje ou nunca?

quinta-feira, 26 de março de 2009

Reconciliação

gosto quando minha criança vem brincar nisso que sou.
vem me ver com olhos de nuvens claras a reger canções em meus ouvidos.
bagunça meus cabelos minhas idéias minhas cores
fere a minha gravidade com sua leveza mansa
me atinge com seus arco-íris suas setas de venenos doces.
afasta minha febre, tece horizontes de sóis em meus olhos
embaralha meus caminhos, me perde os passos as horas os retratos a rigidez
me sopra flores no peito, constrói pontes invisíveis em meus pés. me cria asas.
me invade de vento, me convida, caminha em mim. me enche disso que ontem eu era.
me estende a mão, se reconcilia comigo, me faz toda estradas desejos primaveras.
pinta estrelas em minha face. faz crescer meus olhos para as cores do tempo.
brota em mim como flores. me mostrando que sou. inteira. ontem. hoje.
a criança de outrora.